Isolamento, Ansiedade e Vontade de Escrever...
Aos 12 anos costumava sentar-me no jardim de casa, nas noites de luar, observando as estrelas e sonhando com a vida de "gente grande". De longe observava minhas irmãs mais velhas, esperando pelos seus namorados, e eu "achava" que me apaixonara pelo namorado de uma delas.
Quando eles chegavam, eu entrava, talvez com medo, deles perceberem minha fragilidade, diante da lua.
Ia para o quarto escrever cartas de amor, copiar poesias, e guardava tudo numa caixa de sapato.
E assim fui escrevendo, escrevendo, até que tive que arranjar outra caixa, e outras caixas multiplicaram-se...
Naturalmente que este período de aspirações e isolamento foi de uma estranha forma, o começo de meu apetite de escrever.
Lembro-me de uma noite de carnaval, já estava com meus 13 anos, quando convidada pra uma festinha, minha mãe preparou a mais bonita fantasia. Mas, fui atacada por um mal estar, poucas horas antes da festa, com muita febre sem condição de sair de casa. Na cama, sendo paparicada por minha mãe, eu só chorava, não pela enfermidade, mas porque todos meus amigos estavam na festinha e eu... Aí quanta raiva sentir naquele dia.
E naquele mesmo dia, descobri duas palavras: Isolamento e Ansiedade. Na ânsia de escrever, descobrir que mesmo com raiva se escreve, e escreve coisa bonita.
Mais tarde, com 16 anos, indo de ônibus para a praia, nas férias, sem muito que fazer numa viagem de 4 hs, a não ser pensar e preocupar-me com o nada, percebi que aquela foi uma ocasião solitária e irrequieta que possivelmente me animou a precisão de eu ter episódios dos meus dias, das minhas inocentes e inicias experiências, registradas. De lá pra cá, não parei mais...
Acredito que tudo de importante decorre de se ficar sozinha. No momento, pode sentir-se solitária, mas isto lhe faz um bem enorme.
Aos pouquinhos vou colocando aqui meus registros...
Até a próxima...
Crys
Escrito por Crystal às 21:54:24